IMPÉRVIOS CAMINHOS, ESTRANGEIRAS VIAGENS E BUSCA PELO OUTRO
LADO DO SOL: O ROMANCE-TRAVESSIA DE ALFREDO GONÇALVES DE
LIMA NETO
“A meio caminhar de nossa vida
fui me encontrar em uma selva escura:
estava a reta minha via perdida.”
(Dante Alighieri. A divina comédia)
“Sabei que é este mundo estrada de peregrinos, e
não lugar, nem habitação de moradores.”
(Nuno Marques Pereira. Compêndio narrativo do
peregrino da América.)
A tradição romanesca no território do Baixo Sul da Bahia remonta o século XVIII quando é publicado um dos embriões do gênero, de autoria do cairuense Nuno Marques Pereira, o Compêndio narrativo do peregrino da América (1728, Lisboa). Nesse sentido, esse
território de identidade deixa como legado importante às letras nacionais uma obra que antecede o surgimento e a consolidação do romance no Brasil que se dá somente no século seguinte, no auge do Romantismo. Seguem a esse marco inicial, apenas no século XX, outras narrativas de importância histórica para a Literatura brasileira, sobretudo, aquelas publicadas por Fábio Luz, valenciano anarquista que tanto contribuiu com livros ácratas, disseminando o romance social no bojo da nossa ficção. Dentre as obras desse gênero do autor, merecem destaque O ideólogo (1903), Os emancipados (1906), Elias Barrão (1915) e Manuscrito de Helena (Holofernes), de 1951.
A partir do início do século XXI, os romances começam a reaparecer no território do Baixo Sul, sobretudo, com Araken Vaz Galvão e Carlos Magno de Melo (este, um autor in transit). Foi com Vaz Galvão que a tradição romanesca, sobretudo em Valença, ganhou força
e se solidificou a partir da emergência da Tetralogia sertaneja composta por Crônica de uma família sertaneja (2004), Saga de um menino do sertão (2013), O jagunço velho (2016) e Quimeras do sertão (ainda inédito), e da Trilogia Memorial da Angústia, formada por Sonata em dor maior (2017), Em busca do esquecimento (2018) e Por causa de Lucía (2021). De Carlos Magno, vale destacar os romances Mata serena (2003), Relatório Mandaras (2004), Longe da mão do rei (2006), O Manuscrito de Madri (2008), Canção da Água (2010); Uma Canção de Ninar para o Diabo (2012), Guaibimpará Caramuru: das areias às estrelas” (2019) e As ventosas do polvo (2025). Outros autores desse território têm produzido obras romanescas, como Devaneios, de Gabriela Roza Lima (1998); Morte abjeta (2002), de Bernardo Guimarães e Maria Judit Ribeiro; O caborongo (2006), de Isa de Oliveira; O senhor da montanha (2015), e O senhor da montanha: uma terra de luz e trevas (2020), de Ailton Macedo; O leve pesar da nostalgia (2021), de Tyson Pereira; Transcendência: a maldição, vol. I (2024) e Transcendência: luz e trevas caminham juntas (2024), de Victor Nascimento; Entre o céu e o mar: nos montes da inocência ( dois volumes, 2013), Sacanas do asfalto (2016), Enquanto eles não vêm (vol. 1, 2018), Arquivos mortos (segundo volume de Enquanto eles não vêm, 2021), e Eles estão aqui (terceiro volume, 2024), todos de Robson Gundim; e Um bilhete para Seul, de Luzitânia Silva (2025).
Alfredo Gonçalves de Lima Neto desponta como escritor que fortalece e dá corpo a essa tradição, ao publicar O homem da lupara amarela: romance em 2016. Nessa obra, o romancista transplanta o mito de Édipo para o sertão, entrecruzando desejo, predições, incesto e morte, redimensionando o sentido trágico da tradição clássica ao misturar os tons elevados da tragédia com nuances parodísticos num romance de obstinação e violência. Em 2021, o autor publica As vivências e lembramentos de Aluana Carpideira, obra escrita em terceira pessoa em que narra a história de uma profissional do choro que, ao encerrar sua profissão, vê sua vida e a de seus familiares se transformarem num verdadeiro campo de guerra, travando uma inimizade com seu antagonista (Serapião Cospe-Bala) que tensionará toda a narrativa. O terceiro romance de Alfredo é publicado em 2024 e denomina-se O passivo da bruxa. A trama
gravita em torno da vida de Miquelina dos Feitiços, mulher dada a milagres ou bruxarias que vive no sertão de Boqueirão dos Aflitos, e que, após cada trabalho realizado sobre os miseráveis que a procuravam para se livrarem de males insólitos, estabelecia um passivo,
espécie de dívida a ser paga no dia de seu sepultamento, de modo que deixava essas pessoas atadas a seu destino.
Do outro lado do sol é o quarto romance de Alfredo Lima Neto. Trata-se de uma obra que, em certa medida, dialoga com essa tradição que o antecede, sobretudo com o romance pioneiro desse território, o Compêndio narrativo do peregrino da América, de Nuno Marques
Pereira. Ambas as narrativas, respeitando suas especificidades, trabalham com a matéria da viagem, da travessia, da peregrinação. Na narrativa alegórica e moralizante de Nuno Marques, o percurso feito pelo protagonista-narrador (um idoso, sábio, piedoso e cheio de virtudes) se dá, no período colonial, entre a Bahia de Todos os Santos à Capitania das Minas e, por meio dele, o peregrino “varão ilustre” vai descrevendo lugares, gente e costumes, casos pitorescos da terra sempre a partir de uma perspectiva religiosa, exemplar. A intenção da obra é a condução da gente comum, média humilde, nos seus problemas cotidianos. Nela, há centenas
de histórias, dentro da história, ou exemplos, sob a forma de parábolas, estruturadas na narrativa e encadeadas tematicamente, servindo de modelos exemplares para que o angustiado peregrino incuta a verdadeira doutrina no espírito dos pecadores, conduzindo-os, desse modo, ao céu.
Por outro lado, a travessia empreendida pelos dois personagens centrais da trama alfredina (Apolônio e Seltônio) acontece do sertão para o litoral, e declina desse viés moralizante e religioso. Em Do outro lado do sol, um velho homem conduz um jovem sem memória no seu desejo de conhecer o mar. O encontro se dá à beira da estrada, onde Seltônio está à espera de alguém que o ajude nessa peregrinação. Não se sabe quais motivos concretos levaram-no até ali, nem se saberá. A narrativa empurra os leitores nessa via-crúcis dos dois personagens, revelando-lhes fatos insólitos e, ao mesmo tempo, sedutores, arrastando-os para uma aventura semelhante à realizada por Sherazade na sua luta pela vida. Aqui, ao longo da travessia, o mais jovem lerá a história de sua existência para o mais velho ao findar dos dias. Seltônio leva consigo as suas memórias que foram registradas por uma de suas irmãs (Maria da Saudade), podendo revisitá-las quando quiser. Numa espécie de pacto (e outros pactos acompanham essa obra) feito com Apolônio, o moço leria esses rabiscos e, em seguida, usaria as folhas dos registros para acender a fogueira que faziam para se aquecer nessas paradas. Sob
a orientação do seu mestre, recolheria as cinzas desses manuscritos queimados e as juntaria para que, quando chegassem ao litoral, a irmã do ancião reconstruísse essas narrativas familiares.
Nesse abrir e fechar “maço de papéis amarrado por um barbante”, a obra de Alfredo vai se desdobrando em algumas camadas narrativas, à medida que os personagens realizam suas peregrinações, tanto internas quanto externas. A primeira dessas camadas (a da voz central) que se esboça, de chofre, é a construída pelo narrador principal, homem dotado de um certo pedantismo e possuidor de um saber que insiste em contrastar com o dos seus personagens. Diversas passagens evidenciam esse gesto, culminando numa prática constante das narrativas alfredinas (e também nas de Vaz Galvão): a intrusão da voz que narra. Vejamos um excerto em que essa reflexão recai sobre as fraquezas culturais do personagem: “Dissera um dia Antônio ao incauto filho – não textualmente com essas palavras que aqui agora disponho, isso não, que Antônio não possuía estudo suficiente para rebuscar as ideias, mas dissera com igual semelhança no sentido a qual se propunha e com tamanha sabedoria, que acabei por lhe presentear com estas aspas, tão logo acabei de lhe traduzir o que houvera dito –, quando então, o filho estava a entregar o seu destino de forma tão desacautelada à sua
primeira paixão” (grifo nosso). É essa voz que conduz a narrativa principal (a descida do sertão ao litoral feita pelos protagonistas da história). Nesse gesto reflexivo, o romance ascende à condição de obra autorreflexiva em que, aos poucos, vai mostrando-se seu processo de fazimento e estruturação.
A segunda camada (a mnemônica) impõe-se, quase que de forma autônoma, diante desse narrador central que insiste em costurar os fatos e mostrar as maneiras como o faz. É a história familiar de Seltônio, preservada até então nos manuscritos que ele carrega, escrita por sua irmã, aquela que reencarna o arquétipo de Mnemósine, transplantada para uma narrativa sertaneja sob o nome simbólico de Maria da Saudade. Em meio à narrativa central, outras doze longas narrativas são inseridas no livro, tendo a irmã do jovem como a Scherazade do sertão a tecer memórias e preservar o passado familiar. Essas histórias, apesar de estarem atadas umas às outras pelo vínculo afetivo de Seltônio (narra a história de seus familiares), podem ser lidas isoladamente (como num romance desmontável), como se formassem grandes contos, tal qual acontece em Vidas secas. Uma diferença fundamental entre ambas as obras é que a maioria dos capítulos de Graciliano Ramos foram produzidos como contos, de fato. Aqui, ao que parece, são inseridas para (re)construir a biografia externa de um personagem que muito não se revela. Inclusive o capítulo sobre sua vida não existe, “por não possuir gravada em sua branca textura, uma linha sequer, uma palavra que fosse, algo possível de ser lido”. Constrói-se, por meio dessas histórias autônomas, uma longa biografia dos parentes de Seltônio sem muito implicá-lo nessas aventuras. O personagem central parece permanecer
uma incógnita em meio a tantas palavras ditas para ele, mas sem que ele ali esteja integralmente. Seltônio pouco fala de si (apenas lê a narrativa alheia), pouco se revela e quase nunca se autopublica, restando ao leitor tentar esboçar uma face possível desse personagem
híbrido (um misto de Selmira com Antonio, daí seu nome; e outro misto de homem e pássaro, como nos provocam o início e o fim da narrativa). Resulta dessa segunda estratégia narrativa uma obra que se arvora a narrar o mundo, a dar conta de fatos infinitos, culminando no que denomino aqui de desejo efetivo de narrar. As narrativas de Alfredo se embrenham por esse
gesto desembestado de contar histórias, valendo-se de estratégias diversas como a que conflui para a terceira e última camada, a que dá voz ao ancião para se colocar na narrativa como representante da tradição, também guardião de uma memória/saber local.
Essa terceira camada narrativa (a versão apolonística) desdobra-se desse desejo de narrar que transborda as obras de Alfredo Neto. Aqui, diferentemente do que ocorre com a segunda camada, a liberdade de narrar que é concedida ao velho Apolônio é tênue, comedida, pontual. Não escapa aos olhos do narrador principal, nem consegue gerar autonomia como os “capítulos” de Maria da Saudade (versão mnemônica) que, inclusive, aparecem destacados no texto em negrito como se constituíssem casos à parte. Essa terceira camada ou a versão apolonística ganha fôlego em alguns momentos da narrativa, quando o velho rememora causos, como a história de Nézia, a Desdefunta, a de Euflozina, a do Beato da gruta e a de Nereu e Olvido. Misturam-se as vozes nessa estratégia de narrar, resultando um discurso híbrido quando se acoplam a arte do velho viajante com a do narrador culto de Alfredo.
O espaço mítico e imaginário que o autor usa para desenvolver suas narrativas é o sertão nordestino, concentrado, sobretudo, nos arredores de Lajedão (lugar no qual a vida dos familiares de Seltônio transcorre). Paralelo a isso, desenha-se um litoral também indefinido onde habita Vitalina, irmã de Apolônio, e para onde marcham os dois viajantes desde o início da obra. Se o primeiro é o espaço mais importante enquanto cenário da maioria das tramas, o segundo, por sua vez, é mais importante enquanto lócus da guinada subjetiva do herói sem memória. Aqui ele precisa reiniciar-se numa nova trajetória, sem mais o peso dessas memórias alheias, impulsionado pelo gesto dúbio daquela que o precipitaria a reconstruir sua história. É preciso arqui-inventar-se a partir de si mesmo, de valores por ele mesmo construídos para refazer sua travessia rumo ao outro lado do sol. Com isso, o que a narrativa evidencia é a ideia de que o sujeito moderno é esse andarilho em busca de uma verdade sua que será encontrada no próprio caminhar, na própria errância. A verdade jamais estará disponível quando estivermos presos aos significantes do passado ou às memórias que nos escravizam. Só alcançamos um lado do sol, o que nos impulsionará o desejo de fazer o outro percurso. Disso resulta um romance cíclico, tal qual Vidas secas, no qual os personagens reiniciam sua peregrinação. “Agora, apartado de áleo anseio havia sido alijado de passaredo destino. Pássaro, pois, não haveria de ser. Mas nada daquilo o esmorecia. As águas eram muitas, tantos eram os oceanos. Um desejo do tamanho daqueles mares viria se apossar daqueles dois homens. Um dia, quem sabe, se não aves, talvez se tornariam peixes” . É
preciso transmutar-se nesse jogo de dados pelo qual o destino se apresenta. Sem asas, é necessário que nadadeiras sejam aperfeiçoadas para que se possa continuar ou reiniciar a travessia.
O romance, lido por esse viés, reverbera traços do gesto afirmativo nietzschiano quando traz um personagem que aceita o destino, aceita a vida e precisa se arqui-inventar para continuar na travessia. Aqui os dois opostos plasmadores da vida se imbricam. De um lado, Apolônio (Apolo, deus da medida, da sabedoria, da luz, do controle, o deus do sol em sua jornada diária de Leste-Oeste); do outro, o jovem, entregue ao novo, ao caminho, despossuído de memória e movido por um desejo que ele mesmo desconhece. Ainda que timidamente, há traços dionisíacos nesse personagem que não se deixa apreender-se, não se mostra em sua completude, aceitando a vida que lhe chega de horizontes amplos diante do mar a que tanto buscara.
Nessa obra-travessia, a travessia do sertão realizada pelo jovem é uma travessia em direção a si mesmo. É a travessia dos seus próprios fantasmas, rompendo com os sacos e os pesos subjetivos que é obrigado a carregar. A função apolínea do personagem que traz em seu nome essa figura arquetípica é conduzir esse jovem até o seio da vida (Vitalina, inclassificável, inapreensível) para que, liberto de suas memórias e desses fantasmas ancestrais, reinvente outros caminhos por onde recomeçar com leveza e com novos custos. Ao longo dessa jornada, delineia-se um verdadeiro eros pedagógico entre mestre e discípulo, tal qual fizeram Sócrates e Platão, Jesus e seus discípulos, Virgílio e Dante, Heloísa e Abelardo, os sábios do confucionismo e do budismo, Edmund Husserl e Heidegger etc. No bojo dessa narrativa, Apolônio não funciona somente como alguém que acompanha o jovem na estrada física. Desenvolve-se um eros de confiança recíproca e, de fato, de amor, ainda que não explicitamente declarado. Mentor, pai, mãe, abrigo, afeto, confiança, sabedoria e possibilidades, Apolo(nio) é luz, é mestre da verdade que Seltônio espera encontrar. Aqui o velho sustenta o lugar de sujeito suposto saber, aquele da verdade que o jovem fantasia encontrar. Durante toda a jornada, o velho mantém-se nesse lugar simbólico até ser destruído com a chegada de outra personagem que borra esse imaginário e lança Seltônio no encontro ao real psicanalítico: o real da falta, o lugar da castração, o fundo sem fundo, o outro lado do sol. Desse lugar sem fundo, Seltônio precisa ressurgir de si mesmo e iniciar outra travessia.
A jornada de Seltônio com seu mestre Apolônio é a própria jornada do herói cujos estágios de transformação vão se dando aos poucos e lentamente na própria travessia. Essa jornada assemelha-se ao percurso feito por Dante na sua Divina comédia. Nessa obra, Dante
empreende uma viagem ao Inferno, ao Purgatório e aos Céus, conduzido por Virgílio (a razão) e por Beatriz (a fé). Seltônio cruza os infernos (o sertão, metáfora do deserto interior, aquele mesmo que Jesus Cristo precisou enfrentar em sua via-crúcis), atravessa as montanhas do Purgatório (na obra, representada pela gruta do Aleijado) e acessa o Paraíso (o litoral de onde reinicia seu périplo). Enquanto a viagem subjetiva de Dante é ascendente (do mundo subterrâneo ao paraíso), a de Seltônio é descendente para que se torne o contrário. O paraíso é o lugar do desencontro, o espaço em que abandona seus fantasmas para estar consigo próprio. Nesse sentido, Alfredo ressignifica o caminho dantesco, dando a Seltônio uma reconfiguração subjetiva diferente. Dante encontra sua redenção, a verdadeira purificação. O herói alfredino encontra a redenção em si mesmo, herói moderno desprovido de consolos metafísicos, cuja salvação é o próprio caminho. Seltônio é o novo Sísifo/Tântalo/Ícaro diante do mar pronto para mergulhar suas feridas nas águas salgadas e recomeçar o percurso.
Do outro lado do sol é romance de viagens (tanto subjetiva quanto físicas) e de travessias; é romance desmontável, podendo ser remontado a partir das memórias autônomas de Maria da Saudade; é romance autorrefencial que evidencia seu gesto de escritura; é
romance realista maravilhoso, povoado de elementos insólitos e inquietantes; é romance simbólico e alegórico em que se evidencia a jornada do homem moderno rumo às meias verdades; é, ainda, romance de memórias, ainda que enviesadas, alheias. Há muito ainda que se dizer sobre este livro: a simbólica dos nomes de seus personagens e dos lugares, as alusões intertextuais, os traços de estilo, a linguagem lírica que adoça a narrativa, a presença de temas sensíveis e fraturantes que dão vida a muitos personagens. Por ora, deixemos que o leitor também faça seu próprio percurso e, também viajante, como Seltônio, recoste sua cabeça num tronco de umbuzeiro (ou num travesseiro qualquer) e, em longos voos, permita-se “cruzar toda a extensão da caatinga até alcançar o litoral”, certo de que para além de tudo, existe sempre um outro lado do sol.
Gilson Antunes da Silva
Doutor em Literatura e Cultura, escritor, crítico literário, professor-pesquisador e
membro da Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes